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Quatro Pensamentos para a Vida Diária

Devoção Real (Roseikon)

Devotar-se completamente e sinceramente não é tão fácil como parece. No Eihei-koroku, Dogen Zenji diz que concentrar todo o ser na mente e corpo em todas as atividades é supremamente importante. Em outras palavras, dar-se de mente e corpo a qualquer coisa que faça - acordar, lavar-se, tomar o café da manhã, ir ao trabalho, encontrar com pessoas para falar de trabalho, tomar chá e assim por diante.

Nenhum Mérito (Mukudoku)

Bodhidarma, ainda venerado no Japão atual sob o nome de Daruma-daishi, introduziu o Budismo Zen na China nos princípios do sexto século, durante o reinado do iImperador Wu da dinastia Liang. Por causa do seu interesse, o Imperador orgulhosamente trabalhou para promover o Budismo e convidou Bodhidarma a permanecer com ele. Talvez contente com sua própria fé, o Imperador uma vez disse para Bodhidarma, "Construí todos estes templos Budistas, fiz com que todas as sutras fossem copiadas e treinei todos estes monges. que tipo de mérito consegui por todo este trabalho?"

Bodhidarma responteu bruscamente: "mérito algum!" Sem dúvida o Imperador, governante de toda uma nação sentiu-se desprezado.

Na verdade, Bodhidarma o estava admoestando para o fato de fazer coisas com o intuito de recompensa. O Zen nos adverte estritamente contra ter recompensas pelas ações. O espírito zen é agir sempre de uma perfeita maneira natural, descontraída e despojada.

Um Acerto em Cem Erros (Hyakufuto no Itto)

Os ensinos de Shakyamnui contém a doutrina dos quatro e oito sofrimentos (Shiku-hakku). Os Quatro são nascimento, Envelhecimento, doença e Morte. Os restantes quatro que juntos resultam em Oito são a separação do amado, associação com o indesejado, falha em atingir o desejado e o sofrimento psicossomático. O termo japonês shiku-hakku é frequentemente usado para expressar extrema dificuldade. Superar estes sofrimentos inevitáveis é um dos supremos objetivos do Budismo.

Sempre desejamos adquirir o que consideramos importante, desejável ou prazeroso, mas às vezes frustamo-nos na tentativa. Corredores não conseguem atingir a velocidade não importa o quanto pratiquem. Jogadores de beisebol manejam o taco cem vezes sem conseguirem o jeito que eles desejam. Às vezes, no entanto, no meio da prática, eles quebram a limitação e conseguem o perfeito movimento. Neste instante, rão liberados de todo o sofrimento causado pela falha de atingir o desejado.

A felicidade que eles experimentam nestas ocasiões é o resultado, não acidental, de dezenas e centenas de tentativas. Todos os esforços resultam em sucesso. Experimentam um Acerto em Cem Erros.

Olhando das alturas (Hyakushaku Kanto Shin Ippo)

Geralmente quando conseguimos atingir uma certa meta, queremos uma pausa nas alturas desfrutar a nossa satisfação. Mas devemos nos lembrar que, enquanto paramos, o rio do tempo flue sem parar. O Zen nos encoraja a prestarmos atenção ao constante fluir do tempo na forma da frase Hyakushaku Kanto Shin ippo, que significa literalmente dar um passo do topo de uma plataforma de bambú de cem pés. O Shobo-genzo Zuimonki nos diz:

"Estudante do Caminho, vamos ir de corpo e mente e entremos completamente no budha-darma. como um antigo ditado diz, "no topo de uma plataforma de cem pés, como avança um passo para a frente?" Em certa situação, pensamos que iremos morrer se sairmos da plataforma e por isso nos agarramos firmemente nele.

Dizer em 'avançar um passo a frente' significa o mesmo que decidir que não poderia ser tão mal e abandonar a vida corporal. Deveríamos parar de nos preocuparmos com tudo ,desde a arte de viver até a nossa própria vida.

A não ser que abandonemos estas coisas, será impossível atingirmos o Caminho, mesmo que pareça que estamos praticando diligentemente como se estivéssemos tentanto extinguir um fogo envolvendo nossas cabeças, Deixe o corpo e amente seguirem de uma maneira decidida.


 

Traduzido por Shohaku Okumura
in Caminho Zen, nº 1-2003 pags. 10/11
Shotoshu Shumusho - Japão

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